Maio 25th, 2010
Fonte: estradas.com.br
O Brasil é colecionador de recordes negativos e já conquistou mais um, o de Campeão de Roubo de Cargas nas Estradas. Em 2002, estima-se que o prejuízo causado pelo roubo de cargas chegou a R$ 575 milhões. O grande volume das ocorrências e do prejuízo está concentrado na região Sudeste, 83% do total. Para discutir o assunto, foi realizado o Seminário: Roubo de Cargas, Pirataria e Segurança nas Estradas, no Hotel Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí no Rio de Janeiro, entre os dias 25 e 26 de março, organizado pela Polícia Militar, através do Coronel Rosano Souza com apoio da Gmark. Mais de 300 pessoas estiveram presentes nos dois dias de duração.
Representando o governo do Rio de Janeiro, o Secretário de Segurança, Josias Quintal, afirmou que o roubo de cargas no estado irá diminuir ainda este ano “ainda que venha a custar muitas vidas de um lado e do outro”. A declaração de “guerra” foi feita diante de comandantes de vários batalhões da Polícia Militar do Rio de Janeiro, além de autoridades da Polícia Civil, Federal, Receita Federal, entidades e empresários. Para Quintal, o governo Fernando Henrique “dormiu no ponto”. Informou que as estatísticas de roubo de cargas não estavam sendo publicadas no governo Benedita da Silva.
O representante da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC), Denisar Arneiro disse que a situação é insuportável e que em 2002 foram registradas mais de 4.000 ocorrências. Proporcionalmente o Rio de Janeiro apresenta índices muito elevados, responsável por 35,77% das ocorrências e São Paulo ficou com 44,82% no mesmo ano. No caso fluminense, a situação é preocupante já que, enquanto em São Paulo o índice caiu 7,6% no Estado e 15,1% na capital comparando-se 2002 a 2001, no Estado do Rio houve aumento do índice de roubos.
O Sub-Secretário de Planejamento Estratégico e Integração Operacional da Secretaria de Segurança, Coronel Paulo Souto, afirmou que o combate ao tráfico de drogas no estado irá fazer com que os criminosos migrem para o roubo de cargas e por isso estão sendo tomadas medidas preventivas.
Paulo Roberto de Souza, representante do Sindicato de Cargas de São Paulo (SETCESP), apresentou dados e ações que as entidades do setor e o legislativo estão realizando.
Defendeu a aprovação de leis mais rigorosas, uma estrutura de resposta policial e fiscal, compatível com a dimensão do problema e destacou a importância no combate à receptação.
Dentre as iniciativas no legislativo está a aprovação de modificação na legislação vigente permitindo que a autoridade policial possa abrir baús e conteiners lacrados pela Receita e colocar um novo lacre. Outro aspecto mencionado é que o transportador é obrigado a pagar o imposto mesmo quando a carga é roubada. Para isso Souza defendeu o extorno do imposto quando ocorrer o roubo.
Outro ponto discutido foi à necessidade do disciplinamento do setor já que existem 39.500 empresas registradas como transportadoras, muitas servem de fachada para atividades ilícitas ou concorrem deslealmente com as que atendem aos requisitos da legislação.
O Vice-Presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro, Lúcio Marques, lembrou que o roubo de cargas gera diversos problemas. Em primeiro lugar, a perda patrimonial e o valor dos seguros acaba aumentando devido ao risco. O roubo estimula outros crimes e serve de moeda de troca na compra de drogas. Tudo isso acaba aumentando a criminalidade em prejuízo da segurança da população, reduz a arrecadação de impostos e taxas, e afeta ainda outros seguros como de vida e saúde que passam a custar mais caro. Inclusive o número de seguradoras que oferecem o serviço em carteira vem diminuindo devido ao elevado risco.
Marques sugeriu várias medidas, entre as quais criação de barreiras nas saídas das cidades. Citou que o Rio de Janeiro só possui quatro saídas. Em depoimento à Revista das Estradas afirmou que seria importante o apoio e presença das conces-sionárias de rodovias nesses eventos.
O inspetor Cláudio Narcizo da Polícia Rodoviária Federal explicou de que forma a PRF tem agido e apresentou vídeo de flagrante na Ponte Rio-Niterói, mostrando as vantagens de uma atuação integrada entre a concessionária e a polícia, utilizando o monitoramento por câmeras de vídeo. Segundo Narcizo, a PRF dispõe de acesso a um banco de dados que pode ser utilizado, via satélite, da própria viatura. O que é fundamental para a ação policial e combate ao crime e roubo de cargas. Anunciou ainda a aprovação do telefone 191 exclusivo para a Polícia Rodoviária Federal que poderá ser utilizado em todo território nacional.
Lembrou às empresas de colocarem o nome do motorista e identificarem o tipo de carga em todos os documentos possíveis. Esclareceu que indicar corretamente o peso do caminhão também da carga e permite perceber se a carga que a nota diz estar sendo transportada condiz com o peso da mesma.
Durante o evento ainda foram feitas apresentações de outros modais de transportes, ferroviário, aéreo e marítimo, além de temas urbanos relacionados a transporte de passageiros, venda de ambulantes e camelôs.
O Coronel Carlos Antunes, que comanda a Guarda Municipal do Rio de Janeiro, chamou atenção sobre o combate aos camelôs, que trabalham essencialmente com mercadorias roubadas ou contrabandea-das. Informou que existem 58 depósitos clandestinos na cidade. Ao contrário do que imaginam as pessoas comuns, a Guarda Municipal não pode prender e combater o comércio irregular por ferir a lei de posturas municipais. Portanto, depende do apoio das demais polícias. Explicou que a maioria dos que atacam a Guarda Municipal não são os que trabalham nas barracas, mas gente contratada especificamente para isso. Muitos guardas municipais têm sido feridos no combate a esse tipo de atividade, exigindo que a corporação possua equipamentos especiais para enfrentar os vândalos.
CARGAS PERIGOSAS
O transporte de cargas perigosas foi objeto de atenção dos participantes. O Tenente Coronel Bombeiro Luiz Emmanuel Paciência apresentou interessante palestra sobre esse tipo de transporte que pode colocar em risco a população de várias cidades. Paciência lembrou que acidentes desse gênero na Índia já provocaram quase 4.000 mortes e 20.000 feridos. O desconhecimento do motorista e curiosos, e muitas vezes de quem atende o acidente, inclusive bombeiros, pode comprometer toda operação de resgate. Enfatizou a necessidade de capacitar os motoristas, policiais rodoviários, bombeiros, equipes de socorro, para o atendimento a acidentes com cargas perigosas.
Dentre as principais irregularidades mencionou o transporte realizado por motoristas não habilitados, com carteiras falsificadas, que desconhecem o risco da carga, usando veículos inadequados, com sinalização irregular, documento da carga irregular. “Em alguns acidentes o motorista não consegue informar qual o tipo de carga que está transportando”, esclareceu Paciência.
Segundo o especialista, cada tipo de carga exige procedimento diferente. Há cargas químicas que não devem entrar em contato com água, mas quem atende o acidente desconhece esse fato e acaba agravando a situação ao molhar o local do acidente. Lembrou que na Dutra passam mais de 700 caminhões com cargas perigosas por dia e que existem mais de 3.000 produtos perigosos transportados por caminhões, que exigem profissionais preparados para transportar e atender acidentes. Os motoristas que passam num local de acidente com carga perigosa não deveriam nunca parar para atender as vítimas, mas sim informar imediatamente as autoridades, especificando o local do acidente. Caso consigam identificar os números no painel Laranja e nos rótulos de risco do veículo acidentado, já estarão sendo de grande ajuda, mas jamais devem correr risco para obter essa informação. Essa numeração indica o tipo de produto transportado e facilita a atuação das equipes de resgate.
De cada 10 veículos fiscalizados transportando cargas perigosas estima-se que 9 estejam irregulares. Por isso, o especialista recomendou que sejam intensificadas as ações de fiscalização. Paciência lembrou ainda que a própria população que vive às margens das rodovias corre grande risco. “Há casos em que depois do acidente pessoas aproveitam para saquear a carga e levam produtos tóxicos sem saberem do risco que correm”.
A situação é ainda mais assustadora em sabendo-se que, no caso de acidentes em locais próximos de rios, os produtos podem ser levados para áreas metropolitanas colocando em risco grande populações.
Para combater esses acidentes são necessários veículos equipados e material de apoio.O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro dispõe de apenas uma viatura bem equipada para atender todo o Estado.“ É preciso que as empresas invistam nisso, afinal, quem ganha com risco, também ganha com segurança”, afirmou Paciência.
O Brasil é colecionador de recordes negativos e já conquistou mais um, o de Campeão de Roubo de Cargas nas Estradas. Em 2002, estima-se que o prejuízo causado pelo roubo de cargas chegou a R$ 575 milhões. O grande volume das ocorrências e do prejuízo está concentrado na região Sudeste, 83% do total. Para discutir o assunto, foi realizado o Seminário: Roubo de Cargas, Pirataria e Segurança nas Estradas, no Hotel Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí no Rio de Janeiro, entre os dias 25 e 26 de março, organizado pela Polícia Militar, através do Coronel Rosano Souza com apoio da Gmark. Mais de 300 pessoas estiveram presentes nos dois dias de duração.
Representando o governo do Rio de Janeiro, o Secretário de Segurança, Josias Quintal, afirmou que o roubo de cargas no estado irá diminuir ainda este ano “ainda que venha a custar muitas vidas de um lado e do outro”. A declaração de “guerra” foi feita diante de comandantes de vários batalhões da Polícia Militar do Rio de Janeiro, além de autoridades da Polícia Civil, Federal, Receita Federal, entidades e empresários. Para Quintal, o governo Fernando Henrique “dormiu no ponto”. Informou que as estatísticas de roubo de cargas não estavam sendo publicadas no governo Benedita da Silva.
O representante da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC), Denisar Arneiro disse que a situação é insuportável e que em 2002 foram registradas mais de 4.000 ocorrências. Proporcionalmente o Rio de Janeiro apresenta índices muito elevados, responsável por 35,77% das ocorrências e São Paulo ficou com 44,82% no mesmo ano. No caso fluminense, a situação é preocupante já que, enquanto em São Paulo o índice caiu 7,6% no Estado e 15,1% na capital comparando-se 2002 a 2001, no Estado do Rio houve aumento do índice de roubos.
O Sub-Secretário de Planejamento Estratégico e Integração Operacional da Secretaria de Segurança, Coronel Paulo Souto, afirmou que o combate ao tráfico de drogas no estado irá fazer com que os criminosos migrem para o roubo de cargas e por isso estão sendo tomadas medidas preventivas.
Paulo Roberto de Souza, representante do Sindicato de Cargas de São Paulo (SETCESP), apresentou dados e ações que as entidades do setor e o legislativo estão realizando.
Defendeu a aprovação de leis mais rigorosas, uma estrutura de resposta policial e fiscal, compatível com a dimensão do problema e destacou a importância no combate à receptação.
Dentre as iniciativas no legislativo está a aprovação de modificação na legislação vigente permitindo que a autoridade policial possa abrir baús e conteiners lacrados pela Receita e colocar um novo lacre. Outro aspecto mencionado é que o transportador é obrigado a pagar o imposto mesmo quando a carga é roubada. Para isso Souza defendeu o extorno do imposto quando ocorrer o roubo.
Outro ponto discutido foi à necessidade do disciplinamento do setor já que existem 39.500 empresas registradas como transportadoras, muitas servem de fachada para atividades ilícitas ou concorrem deslealmente com as que atendem aos requisitos da legislação.
O Vice-Presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro, Lúcio Marques, lembrou que o roubo de cargas gera diversos problemas. Em primeiro lugar, a perda patrimonial e o valor dos seguros acaba aumentando devido ao risco. O roubo estimula outros crimes e serve de moeda de troca na compra de drogas. Tudo isso acaba aumentando a criminalidade em prejuízo da segurança da população, reduz a arrecadação de impostos e taxas, e afeta ainda outros seguros como de vida e saúde que passam a custar mais caro. Inclusive o número de seguradoras que oferecem o serviço em carteira vem diminuindo devido ao elevado risco.
Marques sugeriu várias medidas, entre as quais criação de barreiras nas saídas das cidades. Citou que o Rio de Janeiro só possui quatro saídas. Em depoimento à Revista das Estradas afirmou que seria importante o apoio e presença das conces-sionárias de rodovias nesses eventos.
O inspetor Cláudio Narcizo da Polícia Rodoviária Federal explicou de que forma a PRF tem agido e apresentou vídeo de flagrante na Ponte Rio-Niterói, mostrando as vantagens de uma atuação integrada entre a concessionária e a polícia, utilizando o monitoramento por câmeras de vídeo. Segundo Narcizo, a PRF dispõe de acesso a um banco de dados que pode ser utilizado, via satélite, da própria viatura. O que é fundamental para a ação policial e combate ao crime e roubo de cargas. Anunciou ainda a aprovação do telefone 191 exclusivo para a Polícia Rodoviária Federal que poderá ser utilizado em todo território nacional.
Lembrou às empresas de colocarem o nome do motorista e identificarem o tipo de carga em todos os documentos possíveis. Esclareceu que indicar corretamente o peso do caminhão também da carga e permite perceber se a carga que a nota diz estar sendo transportada condiz com o peso da mesma.
Durante o evento ainda foram feitas apresentações de outros modais de transportes, ferroviário, aéreo e marítimo, além de temas urbanos relacionados a transporte de passageiros, venda de ambulantes e camelôs.
O Coronel Carlos Antunes, que comanda a Guarda Municipal do Rio de Janeiro, chamou atenção sobre o combate aos camelôs, que trabalham essencialmente com mercadorias roubadas ou contrabandea-das. Informou que existem 58 depósitos clandestinos na cidade. Ao contrário do que imaginam as pessoas comuns, a Guarda Municipal não pode prender e combater o comércio irregular por ferir a lei de posturas municipais. Portanto, depende do apoio das demais polícias. Explicou que a maioria dos que atacam a Guarda Municipal não são os que trabalham nas barracas, mas gente contratada especificamente para isso. Muitos guardas municipais têm sido feridos no combate a esse tipo de atividade, exigindo que a corporação possua equipamentos especiais para enfrentar os vândalos.
CARGAS PERIGOSAS
O transporte de cargas perigosas foi objeto de atenção dos participantes. O Tenente Coronel Bombeiro Luiz Emmanuel Paciência apresentou interessante palestra sobre esse tipo de transporte que pode colocar em risco a população de várias cidades. Paciência lembrou que acidentes desse gênero na Índia já provocaram quase 4.000 mortes e 20.000 feridos. O desconhecimento do motorista e curiosos, e muitas vezes de quem atende o acidente, inclusive bombeiros, pode comprometer toda operação de resgate. Enfatizou a necessidade de capacitar os motoristas, policiais rodoviários, bombeiros, equipes de socorro, para o atendimento a acidentes com cargas perigosas.
Dentre as principais irregularidades mencionou o transporte realizado por motoristas não habilitados, com carteiras falsificadas, que desconhecem o risco da carga, usando veículos inadequados, com sinalização irregular, documento da carga irregular. “Em alguns acidentes o motorista não consegue informar qual o tipo de carga que está transportando”, esclareceu Paciência.
Segundo o especialista, cada tipo de carga exige procedimento diferente. Há cargas químicas que não devem entrar em contato com água, mas quem atende o acidente desconhece esse fato e acaba agravando a situação ao molhar o local do acidente. Lembrou que na Dutra passam mais de 700 caminhões com cargas perigosas por dia e que existem mais de 3.000 produtos perigosos transportados por caminhões, que exigem profissionais preparados para transportar e atender acidentes. Os motoristas que passam num local de acidente com carga perigosa não deveriam nunca parar para atender as vítimas, mas sim informar imediatamente as autoridades, especificando o local do acidente. Caso consigam identificar os números no painel Laranja e nos rótulos de risco do veículo acidentado, já estarão sendo de grande ajuda, mas jamais devem correr risco para obter essa informação. Essa numeração indica o tipo de produto transportado e facilita a atuação das equipes de resgate.
De cada 10 veículos fiscalizados transportando cargas perigosas estima-se que 9 estejam irregulares. Por isso, o especialista recomendou que sejam intensificadas as ações de fiscalização. Paciência lembrou ainda que a própria população que vive às margens das rodovias corre grande risco. “Há casos em que depois do acidente pessoas aproveitam para saquear a carga e levam produtos tóxicos sem saberem do risco que correm”.
A situação é ainda mais assustadora em sabendo-se que, no caso de acidentes em locais próximos de rios, os produtos podem ser levados para áreas metropolitanas colocando em risco grande populações.
Para combater esses acidentes são necessários veículos equipados e material de apoio.O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro dispõe de apenas uma viatura bem equipada para atender todo o Estado.“ É preciso que as empresas invistam nisso, afinal, quem ganha com risco, também ganha com segurança”, afirmou Paciência.

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