Mesmo com toda a tecnologia, fiscalizar e investigar qualquer suspeita ainda são a melhor prevenção contra o desvio de combustível
As transportadoras ainda não encontraram uma tecnologia 100% eficiente para combater o desvio de combustíveis. Mesmo com todos os aparatos eletrônicos do século 21, a melhor prevenção ainda é fiscalizar e investigar qualquer suspeita. Não é para menos. Empresários contam que existem alguns motoristas que agem de forma ilícita e lucram com esse negócio. Eles abastecem os caminhões em um posto de combustível clandestino para pagar mais barato e pedem notas fiscais com valores mais altos. Muitas vezes, também revendem o diesel para outros estabelecimentos. De acordo com executivos, isso causa transtornos às transportadoras, a começar por um prejuízo de 10% sobre o valor do frete.
Para monitorar a frota e, de quebra, combater desvios, já existem no mercado sistemas eficientes, como o Controle Total de Frotas (CTF), que gerencia os abastecimentos dos caminhões sem nenhuma interferência humana. “Nossos clientes têm uma redução considerável de gastos administrativos e com os veículos, porque o sistema fornece dados confiáveis para o abastecimento”, diz Martha Schulz Sena, gerente nacional de Vendas da CTF Technologies do Brasil. Tecnologias como essa, entretanto, não são 100% seguras quando “agem” sozinhas. É preciso ter um acompanhamento rígido em todo o processo de transporte. “Não existe e nunca existirá um produto que controle absolutamente a fraude”, afirma Fernando Carvalho, diretor-presidente da Repom, empresa que desenvolve soluções logísticas. Segundo Carvalho, exitem processos que diminuem bastante essa possibilidade. Um bom gerenciamento, por exemplo, vai proporcionar um resultado mais confiável do que qualquer equipamento disponível no mercado. “Pode se unir os dois, mas nunca ter apenas um gerenciamento sem tecnologia e uma tecnologia sem gestão eficiente”, diz Carvalho. A Itapemirim adotou esses procedimentos há alguns anos e ainda registra reduções de custos por conta deles. Desde então, a queda no consumo chegou a 10%. “Por isso, também investimos em treinamento para nossos motoristas duas vezes por ano e utilizamos rastreamento via satélite. Outra tática é cobrar bom desempenho sempre”, diz De Lucca.
Para evitar o envolvimento de motoristas com a prática do desvio, a Ramos adota seleção rígida na hora de contratar. Os gestores de frota predeterminam os pontos de paradas para abastecimento do veículo e descanso do condutor. “Monitoramos o consumo de combustível no dia-a-dia. Quando algum funcionário não cumpre a meta, sem um motivo justo, o afastamos da função e abrimos uma investigação”, diz Ramos. Se ele gastar 140 litros num percurso que deveria utilizar 100, a empresa busca a causa do consumo excessivo imediatamente. “Pode ser que o caminhão esteja precisando de manutenção. Nem sempre é culpa dele”, afirma o gerente da Ramos.
Para detectar ações ilícitas, a DM faz um controle de média, utiliza computador de bordo e dispõe de monitoramentos rigorosos em toda a frota, mas não consegue combater totalmente a fraude. “Fazemos a medição com uma régua escalonada nos tanques em todos os pontos de chegada. Com isso, verificamos quais são os motoristas que estão consumindo a quantidade esperada”, diz Reichett. Segundo o gerente da DM, para combater o desvio é preciso trabalhar com postos de abastecimentos confiáveis, ter sistemas de controle de rota, não consumir combustível adulterado, investir em treinamentos e sempre reavaliar o quadro de pessoas envolvidas com a operação de transporte.
No primeiro trimestre deste ano, só no estado de São Paulo, foram registrados 43 roubos de caminhões que transportavam combustíveis, principalmente nas estradas que ligam a capital ao interior. O prejuízo foi de 1,6 milhão de reais em carga roubada. Em todo o ano passado, foram 138 casos, num total de 6,6 milhões de reais. É essa gente que está de olho nos seus tanques.
Boca fechada
Dicas para evitar o desvio de combustível :- Seleção rigorosa de funcionários
- Adoção de processos eficientes de gestão de frota
- Implantação de sistemas modernos de rastreamento de cargas
- Medição diária do desempenho dos motoristas
- Bloqueadores físicos do tanque e sistemas informatizados de abastecimento
- Fiscalização do veículo durante a viagem
- Treinamentos constantes de condução econômica
- Premiação de motoristas que atingem o consumo ideal de combustível
- Utilização de computador de bordo e tacógrafo
- Abastecimento apenas em postos conhecidos
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