Por Najar Tubino
A novidade no caso brasileiro, em termos de poluição do ar, é que a concentração de ozônio (O3) tem aumentado e na baixa atmosfera ele é tóxico. No caso, trata-se da praga da poluição do ar. Um assunto batido, que não empolga mais ninguém. Vejam o caso de São Paulo, que atingiu a nobre marca de 6 milhões de carros. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos, acompanha o rastro da poluição provocada pelos veículos paulistas, e sempre incrementada pelas chaminés das indústrias – sem filtros, lógico. Agora, chegaram à conclusão que o rastro pode percorrer 600 km, atingindo o oeste do Estado, na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Depende das correntes atmosféricas. Também não há nenhuma novidade nisso, porque os satélites da Nasa vivem registrando as espessas nuvens de poluição, carregadas de dióxido de carbono, dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio, todos elementos ácidos – provocam chuva ácida – saindo da Ásia em direção a outras regiões. Em 2002, com a conseqüência de grandes incêndios na Malásia e na Indonésia, os satélites acompanharam uma nuvem com espessura de 3 quilômetros.
Uma praga, provocada por nós mesmos. A maior quantidade de poluição liberada na atmosfera é conseqüência da queima dos combustíveis – gasolina, óleo diesel, principalmente. A qualidade do combustível também é responsável por isso. No problema brasileiro temos mais um ingrediente: o diesel contém uma quantidade muito acima do recomendado, em termos de enxofre. Desde 2002, o conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), baixou uma resolução – a de número 315 – proibindo o uso do diesel com mais de 50 ppm (partes por milhão) de enxofre. A média brasileira, usada pela Petrobrás é de 500 ppm. Dez vezes mais. Pior: no interior de São Paulo, pelo menos, a quantidade é de 2000 ppm. O relato foi apresentado pelo presidente do instituto Ethos, Oded Grajew, na Conferência Mundial de Cidades, ocorrida recentemente em Porto Alegre.
Se levarmos em consideração outros problemas ambientais, principalmente água tratada e falta de esgotos, o número chega a 233 mil pessoas no Brasil. Causas das mortes: diarréia, malária, infecções respiratórias. No planeta, ainda segundo a Organização Mundial de Saúde, 24% das doenças estão relacionadas ao ambiente, onde as pessoas vivem. Na pesquisa eles analisaram a poluição do ar, saneamento, ambiente de trabalho, exposição ao barulho, métodos agrícolas, construções urbanas e mudanças ambientais. O mesmo estudo indica que 13 milhões de mortes poderiam ser evitadas, se o ambiente onde a população vive, fosse mais saudável. Um detalhe sobre o cotidiano brasileiro: 13% dos lares continuam usando carvão ou lenha para cozinhar.
Entender esta situação numa grande cidade é mais ou menos óbvio. O problema é saber de índices de ozônio e outros poluentes ainda maiores em plena floresta Amazônia. É o que acontece durante o período oficial das queimadas, entre os meses de agosto e outubro. O físico Paulo Artaxo, do Laboratório Atmosférico da USP, integra um grupo que acompanha o funcionamento da floresta em vários aspectos. Um deles é a respiração. A quantidade de dióxido de carbono consumido e liberado pela evapotranspiração das árvores, várias substâncias orgânicas e inorgânicas que são liberados pelos poros (os estômatos) das árvores. Na época das queimadas, o número de partículas sobe de 300 para 15 mil por metro cúbico.
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