13 de agosto de 2008

Como anda a qualidade do nosso diesel brasileiro?


ADERCO – Elimina as impurezas do combustível
Rich Representações Ltda.

Em detrimento dos problemas ecológicos e de saúde, bem como, na economia e do mercado de transportes, reunimos reportagens importantes para nos alertar, quanto a esse problema que se prolonga por décadas e que agora podemos colher o resultado dos efeitos através da poluição.
Em 2007 com a chegada do biodiesel no mercado brasileiro, surgiram diversas discussões acerca da qualidade do diesel combustível, promovendo seminários importantes como: “A Qualidade do Diesel Combustível e seus Efeitos Sobre o Meio Ambiente Urbano”. Conhecemos os diversos problemas provocados pela a poluição, mas não podemos ficar parados esperando a atitude somente do estado, enquanto que a nossa função é busca soluções amenizadoras para situação, fazendo uso de tecnologias e informações a nossa disposição. Segundo a fonte desta matéria da revista ECOPRODUCERS. O principal componente da fumaça preta que sai do escapamento de caminhões, ônibus e demais veículos que utilizam o combustível é o enxofre, substância de teor cancerígeno que coloca em risco a vida das pessoas causando mortes e doenças graves.
O diesel comercializado no Brasil apresenta quantidade de enxofre muito acima do recomendável. De acordo com estudos do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, as partículas emitidas pelo diesel estão associadas à redução da expectativa de vida e a morte prematura de 10 mil pessoas ao ano, em seis capitais do país.
O Deputado Davi Zaia apresentou recentemente um projeto de lei que limita a quantidade de enxofre no diesel comercializado no Estado para 20 partes por milhão de enxofre. O objetivo de seu projeto e de iniciativas como o seminário é o de chamar atenção da sociedade para as conseqüências da poluição provocada pela má qualidade do combustível, utilizado principalmente em caminhões e ônibus urbanos.
A quantidade de enxofre no diesel brasileiro ultrapassa em muito a existente no combustível comercializado em países da Europa, Japão e Estados Unidos. No Brasil, o diesel apresenta de 500 a 2.000 partes por milhão de enxofre, enquanto que em outros países, como os do continente europeu, a taxa é de 10 a 50 partes por milhão. O Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou em 2002 uma resolução que fixa a quantidade de enxofre no diesel em 50 partes por milhão, a partir de 2009. A ANP – Agência Nacional de Petróleo, a quem cabia regulamentar o novo combustível, só o fez em setembro deste ano.
A Petrobrás afirmou na terça-feira, 27/11, que disponibilizará o diesel menos poluente como determina a resolução do Conama somente após os fabricantes de veículos colocarem no mercado motores adaptados ao combustível. As montadoras alegam que não conseguem se ajustar à resolução por falta de tempo hábil. Apesar de ser ainda menos poluente se utilizado em motores novos, especialistas consideram que o diesel com menos quantidade de enxofre contribuiria bastante para reduzir os índices atuais de poluição.
Estudos do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP realizados em seis capitais do país, coordenado pelo médico Paulo Saldiva, indicam que as partículas emitidas pelo diesel estão associadas à redução da expectativa de vida e a morte prematura de 10 mil pessoas ao ano. Saldiva aponta para a redução de gastos com atendimento médico, caso sejam tomadas medidas para reduzir o enxofre do diesel. Pela experiência de outros países, “para cada dólar gasto no controle de poluição do diesel, ganha-se oito dólares de retorno nos quatro anos subseqüentes”, afirma o médico.
David Zaia questiona como uma empresa do porte da Petrobrás, que detém a tecnologia necessária para atender a resolução do Conama, não toma a providência que deveria. Ele participou do programa Assembléia Convida, da TV Assembléia, tendo como convidados Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade, além de Oswaldo Lucon, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Zaia chama a atenção para o fato de que a poluição do diesel afeta todo o Estado, incluindo as pequenas cidades nas quais esse tipo de combustível apresenta os maiores índices de enxofre.Para Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo: Outra cidade, a questão envolve todo o modelo de transporte adotado pelo país, que privilegia o automóvel, em detrimento do transporte ferroviário. Todos os anos, segundo ele, 630 automóveis e 220 motos são licenciados na cidade de São Paulo. Com tantos veículos circulando, a cidade caminha para uma situação limite porque as linhas do metrô são insuficientes e não se incentiva a adoção de meios alternativos e complementares, como as ciclovias. Segundo matéria publicada pela Eco&Ação em 2008.
É indispensável, ademais, melhorar a qualidade do diesel produzido pela Petrobrás, combustível que abastece quase toda a frota de caminhões e ônibus circulantes. O óleo diesel fabricado pela nossa principal empresa do Estado, com 500 ppm de enxofre, causa o agravamento das enfermidades mencionadas, cardiovasculares e respiratórias. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em consonância com a regulamentação internacional, determinou que o óleo diesel distribuído no País deveria ter, em 2009, no máximo, 50 partes de enxofre por milhão de ppm. O limite máximo nas nações européias já é de 50 ppm; e nos EUA e Canadá é de 15 ppm, devendo cair para 10 ppm no próximo ano.
As fontes da Petrobrás esclarecem que a organização já está investindo, a fim de que as suas refinarias passem a reduzir o teor de enxofre do diesel. Até que isto ocorra, o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da nossa principal universidade adverte que a má qualidade do ar provocará a morte prematura de 3 mil pessoas por ano, tipificando um verdadeiro crime contra a saúde dos habitantes. Incontestavelmente, a melhor condição ambiental paulista permanecerá na estreita dependência da intensificação do transporte público, de um óleo diesel de melhor qualidade, com menor teor de enxofre, e rigoroso acatamento à legislação ambiental.
Luiz Gonzaga Bertelli é diretor da Fiesp e presidente da Academia Paulista de História

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